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Europa reabre suas fronteiras a fim de salvar turismo

A reabertura das fronteiras é um grande trunfo do setor turístico, ávido para recuperar as perdas históricas de 2020.

Por Redação O Sul | 9 de maio de 2021

Suspenso desde que a pandemia começou, o vai e vem de turistas estrangeiros em destinos europeus como Roma, Santorini e Ibiza deve recomeçar gradualmente no próximo mês. De olho no verão, a Comissão Europeia recomendou que seus 27 Estados-membros abram as fronteiras para quem já tomou as duas doses da vacina contra a Covid-19 ou vem de países onde o coronavírus está sob controle – a lista de países ainda vai ser divulgada, e é possível que passageiros vindos Brasil não sejam incluídos.

A reabertura das fronteiras é um grande trunfo do setor turístico, ávido para recuperar as perdas históricas de 2020. É também uma consequência do ritmo das campanhas de vacinação no continente, que finalmente ganharam fôlego após um início desastroso.

Entre 6 de abril e 6 de maio, o número de doses diárias aplicadas na União Europeia aumentou 83%, chegando a uma média de 3,05 milhões de vacinas por dia, maior que a americana. Mantendo o ritmo, o bloco conseguirá imunizar 75% dos seus 446 milhões de habitantes até outubro.

No último mês, a vacinação diária cresceu 145% na Alemanha, 60% na França e 90% na Itália, os países mais populosos do bloco. Os motivos para a aceleração não são uniformes, mas passam pelo aumento de produção das doses, especialmente da Pfizer-BioNTech, com quem Bruxelas tem uma boa relação.

Outro contribuinte é que vários governos resolveram problemas internos e reduziram a burocracia: a Alemanha, por exemplo, permitiu que médicos da família administrassem as doses, enquanto a Itália criou mais de mil novos centros de vacinação, quase dobrando o número disponível.

A expectativa é que o bloco tenha doses suficientes para vacinar 70% da sua população adulta até o meio de julho. O cenário é esperançoso, mas tudo indica que as férias deste ano ainda não serão normais:

“Enquanto o vírus estiver circulando, há riscos consideráveis”, disse Martin McKee, da Escola de Medicina Tropical e Higiene de Londres. “Precisamos reconhecer que muitas pessoas que virão para a UE transitaram por outros países, onde podem ter tido contato com qualquer um, de qualquer lugar. Há um argumento forte para manter precauções por alguns meses.”

Mesmo com a melhora, o bloco continua na retaguarda de países desenvolvidos que foram mais ágeis – e protecionistas – para garantir suas doses: até o momento, aplicou ao menos uma dose em 31% da sua população. O ex-membro Reino Unido, em comparação, vacinou 53%. Os EUA, 45%.

Em múltiplas regiões do continente ainda há toques de recolher e quarentenas que são afrouxadas ou apertadas a depender da taxa de contágio, algo que a vacinação por enquanto não é capaz de controlar por si só, apesar de já reduzir as mortes. Logo, parece improvável que se abra completamente mão das máscaras e das medidas de distanciamento nos próximos meses.

Trata-se de um cálculo entre o risco da reabertura e os prejuízos econômicos impostos pelas restrições ao turismo, responsável por 10% do PIB europeu. Em 2020, o número de estrangeiros que viajou ao continente caiu 85%, conforme divulgou a Comissão de Viagem Europeia.

Com os casos e mortes sob controle, a Grécia vai reabrir seus museus na sexta-feira, após seis meses fechados. Bares e restaurantes voltaram a funcionar na semana passada, enquanto as praias foram reabertas ontem.

Atenas era uma das maiores defensoras da retomada do turismo, ao lado de outras nações mediterrâneas que não podem se dar ao luxo de perder mais um verão. O setor é responsável por 20% da economia grega e teve em 2020 o pior ano de sua História.

A Itália começou a reabrir gradualmente em abril, pouco depois de Portugal. A Espanha encerra hoje seu estado de emergência, enquanto os franceses deram início a um desconfinamento em quatro etapas na última segunda, com o fim da necessidade de autorizações para viagens de mais de 10 km.

A partir do dia 19, o toque de recolher será aliviado e as lojas não essenciais, fechadas desde março, poderão reabrir com restrições de lotação. Bares e restaurantes também poderão funcionar, desde que em espaços abertos e com limite de seis pessoas por mesa. Cinemas e teatros reabrirão, mas com ocupação reduzida.

Em 9 de junho, turistas de fora da UE serão novamente permitidos na França. A última etapa do plano, passível de mudanças a depender da situação pandêmica, está prevista para 30 de junho, quando o toque de recolher será suspenso.

Apesar da cautela, a maior circulação de pessoas deve inevitavelmente culminar em um aumento do contágio, como no verão de 2020 – mesmo fechado para o turismo interno, a UE permitiu as viagens entre seus Estados-membros. Os números ficaram relativamente baixos durante a alta temporada, mas voltaram a subir com a chegada do outono, culminando num novo surto. As informações são do jornal O Globo.

Notícia tirada do site www.osul.com.br